Nos anos 80 andei pelos Estados Unidos e diversos países da Europa, numa grande aventura ficando longe do Brasil por um bom tempo. Isto aconteceu pouco depois de receber meu diploma na Faculdade de Belas Artes da UFMG. Ao contrário das profissões mais tradicionais que, embora como em todo começo também apresentam suas dificuldades, o ofício de artista talvez seja um dos mais complicados. Você sai da escola sem rumo, a não ser que escolha ser mestre, o que eu nunca quis. Nesse caso, não sem antes me aventurar em alguns empregos que nada tinham a ver comigo, fui correr mundo. O que aprendi naquelas andanças escola nenhuma ensina. Foi inesquecível, tanto nas dificuldades quanto nas alegrias. O fato é que voltei para o Brasil com muito mais coragem e ânimo para começar tudo de novo. Foi como uma pós graduação. Trouxe na bagagem, o que na época nem sonhava, seria a pedra fundamental de minha carreira: Um pequeno gnomo de resina com roupinha de tecido, muito feínho, mas também muito interessante, que comprei numa lojinha perto do jardim de Bóboli, em Florença, Itália.Passados alguns meses, tendo aquele bonequinho como exemplo, resolvi criar personagens de cerâmica, cada um com uma carinha, roupinha bem colorida e contando uma história, que eu inventava a partir de fantasias que povoavam minha mente desde criança, quando lia contos de fadas, fábulas de La Fotaine e Monteiro Lobato compulsivamente. Criei personagens como o pernilongo, que deveria acompanhar os músicos para inspirá-los, o juiz, que deveria acompanhar os advogados para aumentar neles o senso de justiça, a bruxa, para proteger um pouco as mentes muito inocentes dando a elas um pouco de malícia, o mago para inspirar sabedoria, a fada, o caramujo para dar paciência, o gato que logicamente não poderia faltar, etc, etc, etc.
E foi também um sucesso! A Beth Freitas, minha representante na época, vendia os personagens para todo o país!
Foram parar em jornais, revistas e televisão, ficaram famosos. Já não os produzia mais em cerâmica. Começaram a ser feitos em gesso, a partir de formas de silicone. Na época tive que contratar funcionários para dar conta de tanta encomenda.
Mas, como tudo tem seu começo, meio e fim, a fase dos gnomos e afins terminou. Aconteceu de outras pessoas começarem a produzir duendes em alta escala e uma onda de esoterismo varrer o país. Nunca foi minha intenção ir para esse lado. Minha história era a fantasia. Já era então hora de amadurecer e viver outra realidade: Recomeçar. E foi o que aconteceu. Fiz cursos específicos de cerâmica e química e dei adeus para aqueles personagens.
Agora, mais de vinte anos depois, minha amiga Cris me diz que guarda até hoje sua coleção!
Que alegria rever aquela família!
Que saudades me deu...
Entretanto, não gostaria de voltar aqueles tempos. Foram ótimos mas ficaram lá no passado.
Olhando para eles, só tenho a agradecer a Deus por tudo que me aconteceu ao longo de todos esses anos. A partir deles construí uma carreira que amo e da qual não abro mão. Sinto um carinho imenso por esses personagenzinhos!
E aí está minha amiga Cris que me proporcionou a grande alegria de revê-los.
Cuidadosa, guardou por todo esse tempo essa história.
Obrigada, amiga!




















































