domingo, 12 de fevereiro de 2012

Ilustres Visitas


Nos anos 80 andei pelos Estados Unidos e diversos países da Europa, numa grande aventura ficando longe do Brasil por um bom tempo. Isto aconteceu pouco depois de receber meu diploma na Faculdade de Belas Artes da UFMG. Ao contrário das profissões mais tradicionais que, embora como em todo começo também apresentam suas dificuldades, o ofício de artista talvez seja um dos mais complicados. Você sai da escola sem rumo, a não ser que escolha ser mestre, o que eu nunca quis. Nesse caso, não sem antes me aventurar em  alguns empregos que nada tinham a ver comigo, fui correr mundo. O que aprendi naquelas andanças escola nenhuma ensina. Foi inesquecível, tanto nas dificuldades quanto nas alegrias. O fato é que voltei para o Brasil com muito mais coragem e ânimo para começar tudo de novo. Foi como uma pós graduação. Trouxe na bagagem, o que na época nem sonhava, seria a pedra fundamental de minha carreira: Um pequeno gnomo de resina com roupinha de tecido, muito feínho, mas também muito interessante, que comprei numa lojinha perto do jardim de Bóboli, em Florença, Itália.Passados alguns meses, tendo aquele bonequinho como exemplo, resolvi criar personagens de cerâmica, cada um com uma carinha, roupinha bem colorida e contando uma história, que eu inventava a partir de fantasias que povoavam minha mente desde criança, quando lia contos de fadas, fábulas de La Fotaine e Monteiro Lobato compulsivamente. Criei personagens como o pernilongo, que deveria acompanhar os músicos para inspirá-los, o juiz, que deveria acompanhar os advogados para aumentar neles o senso de justiça, a bruxa, para proteger um pouco as mentes muito inocentes dando a elas um pouco de malícia, o mago para inspirar sabedoria, a fada, o caramujo para dar paciência, o gato que logicamente não poderia faltar, etc, etc, etc.

Foi um período literalmente maravilhoso, quando me divertia em criar as histórias, os personagens e buscar para eles as mais diversa cores e texturas.
E foi também um sucesso! A Beth Freitas, minha representante na época, vendia os personagens para todo o país!
Foram parar em jornais, revistas e televisão, ficaram famosos. Já não os produzia mais em cerâmica. Começaram a ser feitos em gesso, a partir de formas de silicone. Na época tive que contratar funcionários para dar conta de tanta encomenda.

Mas, como tudo tem seu começo, meio e fim, a fase dos gnomos e afins terminou. Aconteceu de outras pessoas começarem a produzir duendes em alta escala e uma onda de esoterismo varrer o país. Nunca foi minha intenção ir para esse lado. Minha história era a fantasia. Já era então hora de amadurecer e viver outra realidade: Recomeçar. E foi o que aconteceu. Fiz cursos específicos de cerâmica e química e dei adeus para aqueles personagens.
Agora, mais de vinte anos depois, minha amiga Cris me diz que guarda até hoje sua coleção!
Que alegria rever aquela família!
Que saudades me deu...
Entretanto, não gostaria de voltar aqueles tempos. Foram ótimos mas ficaram lá no passado.
Olhando para eles, só tenho a agradecer a Deus por tudo que me aconteceu ao longo de todos esses anos. A partir deles construí uma carreira que amo e da qual não abro mão. Sinto um carinho imenso por esses personagenzinhos!
E aí está minha amiga Cris que me proporcionou a grande alegria de revê-los.
Cuidadosa, guardou por todo esse tempo essa história.
Obrigada, amiga!

                                 Obrigada, fantasia!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Para Casa de Fotografia


 Para Casa do curso de fotografia que estou fazendo. 

Praticando alguns ajustes na máquina com situação de pouca luz.

Acho que eu estava até indo bem...

até que alguém apareceu de repente, interessado em minhas cerejas e perdi o foco...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Um Breve Passeio Por Santa Tereza

Como o atelier agora se mudou para Santa Tereza, esse tradicional e charmoso bairro de Belo Horizonte, sempre que tiver um tempinho vou sair fotografando suas bucólicas casinhas.

















sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Verão Studio Futon & Atelier Regina Meirelles



Estamos na revista Imobiliare de dezembro/janeiro. A foto é de Rodrigo Câmara, a modelo é Isabella Pimenta da agência Ford, almofada do Studio Futon e peças de cerâmica de Regina Meirelles. Venha conferir: Rua Grafito 143, no charmoso e tradicional bairro Santa Tereza - Belo Horizonte.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Testemunha Milenar

 Foto: Internet

"O luminoso disco lunar irradiava, destarte, maravilhosas sugestões. Aos seus reflexos, iniciara-se a evolução terrena, e numerosas civilizações haviam modificado o curso das experiências humanas. Aquela mesma lâmpada suspensa clareara o caminho dos seres primitivos, conduzira os passos dos conquistadores, norteara a jornada dos santos. Testemunha impassível, observara a fundação de cidades suntuosas, acompanhando-lhes a prosperidade e decadência; contemplara as incessantes renovações da geografia política do mundo; brilhara sobre a testa coroada dos príncipes e sobre o cajado de misérrimos pastores; presenciava, todos os dias, há longos milênios, o nascimento e a morte de milhões de seres. Sua augusta serenidade refletia a paz divina. Cá embaixo, desencarnados e encarnados, possuidores de relativa inteligência, podíamos proceder a experimentos, reparar estradas, contrair compromissos  ou edificar virtudes, entre a esperança e a inquietação, aprendendo e recapitulando sempre; mas a Lua, solitária e alvinitente, trazia-nos a ideia da tranquilidade inexpugnável da Divina Lei."


Pelo Espírito André Luiz - Francisco Cândido Xavier - Livro: No Mundo Maior


Não sei porque, mas deu vontade de colocar este texto aqui hoje, mais um primeiro dia de um ano nesse planeta. Ando refletindo que a mudança é interna, a reforma é íntima, o mais é consequência. Que em 2012, procuremos nos conscientizar a cada dia para que a lua testemunhe um mundo melhor para todo ser vivente.



sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz 2012!

Foto: Internet

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Querida Mestra

Essa cozinha de aproveitar as coisas, abrir a geladeira e descobrir tesouros, tirar as folhas do aipo deixá-las na água corrente e depois colocá-las em um jornal por cima do varal por dias até que sequem e só então passá-las pelo processador e utilizá-las como um ótimo tempero (principalmente no molho a bolonhesa do macarrão dos domingos). Essa cozinha de misturar estes achados que estavam ali mesmo e com eles preparar uma ótima omelete ou um arroz riquíssimo em ingredientes e sabores ou mesmo pegar alguma comida industrializada e misturar nela temperos inusitados transformando-a em iguaria. Essa cozinha aprendi desde menina observando a Maria Aurélia, minha madrinha, minha segunda mãe, que todos os sábados lá pelas cinco horas da tarde ia lá para casa, fazia todas essas mágicas à noite e outras tantas no almoço de domingo. E então, à tardinha, ia embora e me deixava triste. Observando toda essa arte, saboreando aquelas maravilhas que ela fazia me deu vontade de fazer o mesmo. Só que ela não tinha receita de nada. Aprendera tudo com sua mãe espanhola e cozinhava desde pequena. Era tudo um punhado disso, um tiquinho daquilo e pique bem picadinho (fazendo o gesto de picar com as mãos). Mãos que não se queimavam à toa de tão acostumadas estavam com a temperatura das panelas.
Tive trabalho para resgatar algumas receitas. Tinha que ficar seguindo Maria pela cozinha e na hora que ela já ia jogar o ingrediente na panela eu gritava: Para! Espera aí um pouco! E corria para pegar a balança ou uma colher que pudesse me dar a exata medida daquele segredo. As feiras que fechavam quarteirões eram mais comuns naquele tempo e Maria me levava para escolher legumes, verduras e frutas, empurrando seu carrinho. Os temperos como pimenta-dedo-de-moça, coentro, pimenta-olho-de-bode, manjericão, alecrim e outros que na época não eram fáceis de encontrar vinham da horta da casa antiga da Maria. Era uma delícia colher. Delícia até que uma vez um marimbondo-cavalo me picou o dedo e me deixou com febre um dia e uma noite inteirinhos. Teimosa, continuei ajudando Maria, inclusive a colher ervas para banho de descarrego ou para o anjo da guarda, coisas que ela entendia bem. Por falar nisso aprendi com ela também muitas orações de proteção e os nomes de santos que nunca tinha ouvido falar. Ela conhecia todos e sabia o que pedir para cada um deles. Esse não é santo, mas experimente pedir para João Carapinha (um antigo escravo) achar algum objeto perdido. É na hora.
Maria era também exímia costureira. Fazia até vestidos de noiva para fora para ajudar em casa quando era jovem. Toda roupa minha que rasgava ela cerzia de um jeito que ninguém via. Fazia-me bonecas de pano e lindos vestidos bordados (que cá entre nós eu não gostava de usar, pois me incomodava ficar toda engomadinha, aliás, até hoje). Bem, estas artes da Maria não aprendi. Consegui aprender um pouco das artes das panelas. Hoje me considero uma cozinheira de fins de semana, uma cozinheira por hobe, mas adoro ser esta cozinheira e tento cada vez mais aprender, embora hoje não exista mais neste plano a pessoa que tanto agradeço por tantas coisas que sou ou me tornei.
Hoje seria o aniversário de minha segunda mestra de vida: Maria Aurélia.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Alhos Com Bugalhos?

O que tem a ver automóveis com cerâmica e com almofadas? Tudo! O Studio Futon e Atelier Regina Meirelles estão presentes na Bienal do Automóvel de BH com um estande! Confira:
























Rodrigo Câmara orgulhoso de seu lindo projeto para o Instituto Ayrton Senna

Claro que fui lá aplaudir!